No Dicionário de Português,“Schifaizfavoire”, de Mário Prata, da Editora Globo, 6ª edição, 1993, um livro escrito com humor e que pretende mostrar as diferenças entre o Português do Brasil e o de Portugal, podem ler-se várias entradas divertidas, como estas:
“Acento – Um dia no Brasil, o Jô Soares entrou num taxi e o motorista – português – foi logo o reconhecendo. O Jô, brincalhão, perguntou como ele descobrira. E o motorista respondeu: pelo seu acento. E não estava se referindo ao bumbum do Jô, mas sim ao seu sotaque.”
“Canalizador – Se você tiver algum problema nos canos da sua casa, não procure um encanador, porque não vai achar. Mas um bom canalizador vai deixá-lo com todos os canais competentes.”
“Trolha – Li uma manchete que dizia, em maiúsculas letras: POLÍCIA MATA DOIS TROLHAS. Achei que a polícia local estava exterminando os babacas. Nada disso: trolha quer dizer ajudante de pedreiro.”
“Família – Em meados do século 12, Afonso Henrique expulsou quase que definitivamente os mouros do país e tornou-se o primeiro rei português. De lá para cá – lá se vão oitocentos anos -, quase ninguém emigrou para Portugal. Pessoa nenhuma do mundo quis fazer a América em Portugal. Ao contrário: eles que sempre saíram, sempre imigraram, sempre foram os descobridores. Portanto, fora umas incursões espanholas e outra napoleônica, os portugueses tiveram a felicidade de viver a vida entre eles mesmos. Dizem que no começo eram cinco as principais famílias lusitanas; atualmente, que são 49. O que importa é que a população de hoje é o resultado do cruzamento das mesmas famílias, por oito séculos, ou seja, primo casando com prima. O que eu queria dizer é que nunca entrou na sociedade portuguesa uma maneira diferente de pensar, de raciocinar, de ver o mundo. Um outro tipo de lógica. Um japonês, um alemão, um italiano, um judeu, um polonês, um grego, um carioca, por exemplo. Um elemento perturbador, como aquele do filme Teorema de Pasolini. Portugal é hoje uma grande família. Uma raça pura, única. É por isso mesmo que são todos iguais, com a mesma cara, a mesma altura, o mesmo jeito de andar, a mesma maneira de pensar e, principalmente, a mesma lógica. Com as mesmas idiossincracias. Existe, portanto, uma diferença de lógica muito grande entre nós e eles. A lógica deles é única, e a nossa, uma mistura de lógicas negras, portuguesas, índias, italianas, francesas, americanas, alemãs, japonesas, etc. etc. etc. Essa história de dizer que somos povos irmãos é uma velha e grande mentira. Não temos nada a ver uns com os outros. O português é completamente diferente do brasileiro, assim como o inglês é completamente diferente do americano e o espanhol é diferente do cubano. Portugal está muito mais para Albânia que para a Bahia. Há quinhentos anos que não somos mais irmãos. Nós e Portugal temos um passado pela frente!”
Bem,…… olhando para os nossos governantes não posso deixar de pensar que essa mistura consanguínea (das cinco famílias?!) deu os seus resultados: pensam e actuam todos da mesma maneira!!!
É pena é que não se expressem apenas no interior das suas casas!

